Ovinos e Caprinos - Ecto e Endoparasitas em Ovinos
Artigos: Ecto e Endoparasitas em Ovinos
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Autor: Mário de Luca Neto

Fonte: AgroCim

Segundo dados do IBGE o rebanho ovino brasileiro é de aproximadamente 16 milhões de cabeças. Pode-se considerar um rebanho pequeno diante de todo o potencial que tem no País. O Paraná, segundo dados da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos (Ovinopar) possui um rebanho estimado entre 550 a 600 mil cabeças (4,12% do rebanho nacional), distribuído para cerca de 9.700 produtores em aproximadamente 17.200 propriedades. (AFONSO SCHWAB, 2010).

Ovinos e caprinos apresentam uma grande diversidade de ectoparasitos que podem resultar perdas consideráveis na produtividade desses animais.

Dentre as ectoparasitoses causadas por ácaros e insetos, as mais importantes a acometer os caprinos e ovinos são a pediculose, a sarna e as miíases. A pediculose causada por piolhos mastigadores é a mais frequente. Apesar dos progressos tecnológicos para seu controle, a pediculose tem aumentado o risco de comprometimento da qualidade do couro, pela intensa descamação da pele e possibilidade de parasitismo misto, pelos tipos hematófagos (SANTOS et al., 2006). Entre os piolhos mastigadores, se destaca o Ischnocera que desloca rapidamente sobre os pêlos, sendo mais ativo que o Amblycera e, normalmente, nascem e morrem sobre o mesmo hospedeiro, porém podem passar de um animal para outro no caso de proximidade, em condição de superlotação. Após a morte do hospedeiro, não se conservam vivos por muito tempo, morrendo ao fim de horas ou alguns dias (6 a 7 dias), principalmente pela falta de calor irradiado do animal parasitado (GUIMARÃES et al., 2001).

Um dos principais problemas encontrados na ovinocultura, e que limita consideravelmente o aproveitamento econômico destes animais, são as parasitoses gastrintestinais. Os ovinos são parasitados por helmintos em todas as faixas etárias e a sua ação negativa não acontece apenas no atraso de desenvolvimento corporal dos cordeiros, mas também na produção e qualidade da carne e da lã (PINHEIRO, 1979).

AMARANTE (2004) afirma que praticamente 100% dos ruminantes domésticos são portadores de pelo menos uma espécie de endoparasita e, nos países em desenvolvimento, os parasitas gastrintestinais representam um dos fatores mais importantes na diminuição da produtividade dos rebanhos.

Os ruminantes podem ser parasitados por diversas espécies de estrongilídeos, os principais gêneros são Haemonchus spp.; Trichostrongylus spp.; Cooperia spp.; Oesophagostomum spp.; Strongyloides spp. (AMARANTE, 1997). Neste contexto, as parasitoses gastrintestinais assumem relevância, considerando-se as elevadas perdas econômicas decorrentes da baixa produtividade dos animais adultos, da elevada mortalidade e do atraso no desenvolvimento corporal dos jovens, reduzindo o desfrute dos rebanhos (AHID et al., 2008). 

Os ovinos podem ainda, ser parasitados por protozoários como oocistos de Eimeria spp. A elevada freqüência das espécies de Eimeria spp. em ovinos jovens deve-se ao tipo de exploração, com destaque ao regime de manejo intensivo dos animais (FREITAS et al., 2005)

Fonte: Portal do Agronegócio

Os efeitos dos parasitas na saúde dos ovinos caracterizam-se, principalmente, pela anemia e hipoproteinemia, que podem resultar em morte dos animais. A anemia produzida pelos parasitas gastrintestinais, principalmente pelo Haemonchus contortus, tem sido objeto de estudo por diversos pesquisadores (ADANS, 1981). O Haemonchus contortus é predominante em diversas regiões do Brasil, onde é considerado o principal parasita de ovinos, causador de mortes em animais, devido à ingestão de sangue na região do abomaso do hospedeiro (MOLENTO et al., 2004).

No estado do Paraná, a criação de ovinos é realizada principalmente em pequenas áreas com altas taxas de lotação, o que leva a um extraordinário nível de contaminação das pastagens por helmintos gastrintestinais. Para o controle desses parasitas, os produtores são obrigados a aumentar a freqüência de aplicações de anti-helmínticos, as quais, em algumas situações, são realizadas a cada 15 dias. SOCCOL et al. (1996) e ALEXANDRE (1998) mostraram a gravidade do problema, ao constatarem, no estado do Paraná, o aparecimento de resistência de helmintos gastrintestinais a diversos anti-helmínticos.

Embora existam vários métodos laboratoriais e clínicos para diagnóstico parasitário, muitos destes são de baixa precisão. O teste mais aplicado, porém com significativa margem de variação é o que determina a quantidade de ovos por grama de fezes (OPG), realizado antes e/ou após o tratamento. Os testes de migração, eclodibilidade e desenvolvimento de larvas, hematócrito e as técnicas sorológicas (pepsinogênio, gastrina, anticorpos anti-parasitos) devem ser utilizados sob condições laboratoriais, sabendo-se também de suas limitações. Entretanto, existe uma forma de se avaliar um animal/rebanho por meio de informações que correlacionam dados clínico-laboratoriais. MALAN & VAN WYK (1992) observaram a correlação entre a coloração da conjuntiva ocular, o valor do hematócrito e a incidência do parasita hematófago, Haemonchus contortus. VAN WYK et al. (1997) associaram os valores de hematócrito com diferentes colorações da conjuntiva ocular. Estas colorações foram preestabelecidas com auxílio de computação gráfica, representando cinco graus de anemia, incluindo pequenas variações para cada grau. Estes autores comprovaram também que os diferentes graus de anemia apresentaram correlação de 0,8; com grau de confiabilidade superior a 95%, para infecções causadas por Haemonchus contortus. Foi então que estes autores apresentaram o método Famacha. O objetivo deste método é identificar clinicamente animais resistentes, resilientes e sensíveis às infecções parasitárias, otimizando o tratamento de forma seletiva em situações reais no campo, sem a necessidade de recursos laboratoriais e minimizando o risco de resistência aos anti-helmínticos comerciais.

REFERÊNCIAS


ADANS, D. B. Changes in blood leukocytes, bone marrow and lymphoid organs in sheep infected with Haemonchus contortus. International Journal for Parasitology, Oxford, v. 11, n. 4, p. 309-317, 1981.

AFONSO SCHWAB, Paulo.  A ovinocultura brasileira e o Paraná. Disponível em: . Publicado em: Sexta-feira, 21 de maio de 2010. Acesso em: 01 Dezembro, 2010.

AHID, S.M.M.; SUASSUNA, A.C.D.; MAIA, M.B. COSTA, V.M.M.; SOARES, H.S. Parasitos gastrintestinais em caprinos ovinos e da região oeste do Rio Grande do Norte, Brasil. Ciência Animal Brasileira, v.9, n.1, p.112-218. 2008.

ALEXANDRE, A. A. C. Resistência de helmintos gastrintestinais de ovinos aos anti-helmínticos, em Diamante do Norte. 1998, 58 p. (Monografia de Especialização) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 1998.

AMARANTE, A.F.T. Controle de endoparasitoses dos ovinos. 2004. Disponível em:
< http://www.fmvz.unesp.br/ovinos/repman4.htm>. Acesso em 02 de dezembro de 2010.

AMARANTE, A. F. T.; BAGNOLA JR., J.; AMARANTE, M. R. V.; BARBOSA, M. A. Host specificity of sheep and cattle nematodes in São Paulo state, Brazil. Veterinary Parasitology, v.73, p.89-104, 1997.

FREITAS, F. L. C.; ALMEIDA, K. S; NASCIMENTO, A. A.; MACHADO, C. R.; VESCHI, J. L. A; MACHADO, R. Z. Espécies do gênero Eimeria Schneider, 1875 (Apicomplexa: Eimeriidae) em caprinos leiteiros mantidos em sistema intensivo na região de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 14, n. 1, p. 7-10, 2005.

GUIMARÃES, J.H.; TUCCI, E.C.; BARROS-BATTESTI, D.M. Ectoparasitas de Importância Veterinária, São Paulo: FAPESP, 218, 2001.

MALAN, F.S.; VAN WYK, J.A. The packed cell volume and color of the conjunctivae as aids for monitoring Haemonchus contortus infestations in sheep. In: BIENNIAL NATIONAL VETERINARY CONGRESS, 1., 1992, Grahamstown, África do Sul. Anais... Grahamstown : South African Veterinary Association, 1992. V.1. p.139.

MOLENTO, M. B.; TASCA, C.; GALLO, A.; FERREIRA, M.; BONONI, R.; STECCA, E. Método Famacha® como parâmetro clínico individual de infecção por Haemonchus contortus em pequenos ruminantes. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 4, p. 1139-1145, 2004.

PINHEIRO, A.da C. Aspectos da verminose dos ovinos. In: JORNADA DE PRODUÇÃO OVINA NO RS. 1., 1979, Bagé. Anais... Bagé : Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1979. p.139-48.

SANTOS, S. B.; FACCINI, J. L. H; SANTOS, A. C. G. Variação estacional de Bovicola caprae parasitando caprinos no Estado da Paraíba. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 26, n. 4, p. 249-253, 2006.

SOCCOL, V. T.; et al. Ocurrence of resistence to anthelmintics in sheep in Paraná State, Brazil. The Veterinary record., v. 139, p. 421-4222, 1996.

VAN WYK, J.A.; MALAN, F.S.; BATH, G.F. Rampant anthelmintic resistance in sheep in South Africa – what are the options? In: WORKSHOP OF MANAGING ANTHELMINTIC RESISTANCE IN ENDOPARASITES, 1997, Sun City, South Africa. Proceedings... Sun City, 1997. p.51-63.


Mário de Luca Neto
Médico Veterinário
CRMV/PR 8264
mariodeln@yahoo.com.br


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